quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Lamento é alimento...


Lamentar acontece - Davi, Paulo, Jó, Jeremias, até Jesus lamentou.
Mas cabe a você decidir se sua espera vai ser um grande lamento ou um período emocionante em que cada respirar renova a grande expectativa ou ainda: quando cada passo à frente nos tira o fôlego, pois sabemos ver e nos alegrar com o progresso tanto nas coisas visíveis como nas invisíveis.
E talvez não de propósito - mas com certeza - a espera faz a distinção entre fracos e fortes. Ambos chegam no final.
Entre os que chegam cansados, há aqueles que precisaram combater para permanecerem vivos e outros que foram vítimas de suas próprias fraquezas, uma vez que não se prepararam para o que viria.
E há aqueles que mesmo depois da espera chegam descansados. Sim, existem aqueles que resolvem esperar refugiados e chegam ao final da espera como se nada lhes tivesse acontecido. Apenas um engano para quem pensa assim.

Entre eles, existem os das cavernas. Aqueles que tiveram medo e preferiram deixar o assunto de lado. "Melhor não me envolver: se acontecer, ótimo; se não, tudo bem". Em geral, o tempo cuida de castigar a estes, porque ao final da espera perde-se a alegria e a vontade, ou ainda, a sensação de merecimento em usufruir do novo momento, afinal de contas, nem esperavam tanto assim que as coisas acontecessem e muito menos se envolveram. Nesse tempo cavernoso, se alimentaram de suas sombras, das sombras do que havia do outro lado, de suas lágrimas de solidão e medo, de suas lamúrias.

Mas há aqueles que procuram os Lugares Altos, de onde podem acompanhar seguros tudo o que ocorre. Esses não ignoram as situações, nada lhes passa desapercebido, inclusive o que lhes aflige. Mas quando entendem que sua força não é suficiente ou necessária para que o melhor lhes suceda - justamente por isso estão em espera -, entregam tudo nas mãos de Quem fará algo substancial, aprendem a confiar, a não tentar ajudar aquilo que está fora de alcance, descobrem o que significa ter Fé.
Para esses, o tempo também passa. Mas como participaram na espera, esperando com esperança, com confiança, eles aprendem como e quando se lida com os problemas da vida. Ficam mais inteligentes, refletem sobre como não cair no poço de novo, como repetir o êxito no momento oportuno.
Uma vez inseridos na nova realidade, sabem exatamente quem dos seus passou pela espera lutando, do que precisam - porque não foram alheios às mudanças - e estão renovados o suficiente para renová-los.

E ninguém se iluda achando injusto que uns lutem e outros desfrutem a espera.
Os que lutam, tem prazer na luta, no combate e no embate. Conhecem o propósito de lutar, sabem a força que têm, sabem Quem lhes renova e antecipam o final por sua confiança. E os que desfrutam a espera o fazem pelos mesmo motivos. Mas ambos sabem quando e por que lutar, e assim, ambos se envolvem, cada um na medida de sua confiança, de sua certeza, de sua Fé.

O mais terrível é saber que todos nós estamos, ao mesmo tempo, experimentando combate, espera confiante e medo. Em várias áreas da nossa vida, ou às vezes tudo no mesmo problema. Seremos mais conhecidos por qual de nossas facetas? Qual desses bichos será mais alimentado? Mesmo quando não decidimos, um deles fica maior. Fomos feitos assim, de decisão em decisão, de combate em combate, de espera em espera; alguns de medo em medo, outros de fé em fé, de glória em glória.

Quanto a mim, que o medo me preserve mas não seja do tamanho que me impeça de combater, de resistir, de confiar.
Nem ao menos admito medo de desagradar a Deus, medo de pecar, como alguns o fazem. Digo isso não por perfeição, mas por saber que há Quem me justifique, Quem me torne limpo outra vez e nisso saber que a transgressão de hoje não conhecerá o pôr-do-sol.
De fato, melhor será que não exista, mas se existir que venha para me tornar tão humano quanto qualquer um, apenas isso lhe concedo. E nem por isso vou alimentá-lo com meus lamentos.

Quando vier a mim, fará jejum, na alegria, será tentado por minha Fé, três vezes ou mais, mas sem anjos no final: estaremos ocupados... combatendo e festejando!
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